Sem dúvida, a assessoria de imprensa é uma grande aliada no dia a dia das redações, com o envio de sugestões de pautas. Um bom profissional nessa área é imprescindível nesses tempos de avalanche de informações, para rapidamente aproximar a fonte, ou seja, seu cliente, seja público ou privado, das equipes de reportagem da mídia impressa e cada vez mais eletrônica. E com ele as respostas dos questionamentos na cobertura, num acesso do público a conteúdos de seu interesse.
Mesmo que o cliente não tenha interesse em falar, o atendimento ético de um assessor é jogar às claras e informar a decisão ao seu colega do outro lado do balcão rapidamente. O maior inimigo dos jornalistas sempre é o tempo, vulgo deadline, e o profissional de redação pode buscar alternativas à falta da declaração solicitada. Afirmar que não vai comentar o assunto já é uma declaração; melhor do que o “procurado, não foi encontrado”.
Em Florianópolis percebe-se no dia da dia das redações que muito conteúdo oferecido por alguns assessores peca pela falta da garantia de um feedback. É como oferecer algo e não entregar.
Mais de um pressrealese chega com assuntos interessantes, realmente, a ponto de interessar agendar uma entrevista, uma cobertura com repórter no local. Mas no fim do texto, você procura um telefone de contato e nada. Nem da indicação, nem do próprio assessor!. Ou então os telefones são indicados mas estão todos desligados! Para receber resposta do email, espere umas 48 horas (só vi agora). Nas entrelinhas dá para ler a mensagem: já enviei o release e não me encha mais o saco.
Se faz necessário uma profissionalização constante do assessor, o atendimento tem de ser completo. Afinal é pra isso que serve o profissional, para divulgar o seu cliente e poder apresentar a ele um book de clipagens de encher os olhos. Por isso combine com o cliente, toda vez que um release fora aprovado e oferecido à imprensa, que é preciso estar disponível para mais esclarecimentos.
domingo, 23 de janeiro de 2011
terça-feira, 30 de novembro de 2010
O surdo que trabalhava na rádio
A ironia, sempre ela. O cara trabalhava na rádio e não escutava a programação que com tanta preocupação esmerava-se para colocava no ar. Nada de avaria no sistema auditivo. Mesmo assim a mensagem não chegava completa, apenas fragmentos captados aqui e ali.
Era responsável em marcar entrevistas e definir pautas para repórteres. Enquanto a entrevista rolava, sua mente fica longe ali daquele estúdio sufocante e pequeno: um verdadeiro aquário onde não há boca de peixe se movimentando sem parar, só de locutores. do lado uma mesa de operação com o operador a milhão escutando a programação da rede, comerciais, o locutor, tudo ao mesmo tempo: e ele realmente parece captar tudo.
E ainda tem o trimtrim de dois telefones, ouvintes ávidos em dar sua opinião, palpite. E daqui a quinze minutos o que colocar no ar, com qualidade. O negócio é dançar um samba-roque meu irmão, com diz Seo Jorge.
Era responsável em marcar entrevistas e definir pautas para repórteres. Enquanto a entrevista rolava, sua mente fica longe ali daquele estúdio sufocante e pequeno: um verdadeiro aquário onde não há boca de peixe se movimentando sem parar, só de locutores. do lado uma mesa de operação com o operador a milhão escutando a programação da rede, comerciais, o locutor, tudo ao mesmo tempo: e ele realmente parece captar tudo.
E ainda tem o trimtrim de dois telefones, ouvintes ávidos em dar sua opinião, palpite. E daqui a quinze minutos o que colocar no ar, com qualidade. O negócio é dançar um samba-roque meu irmão, com diz Seo Jorge.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
de doer
Longe de você, meu bem, longe da alegria (Marisa Monte)
Mais um crime, mais uma morte. A discussão no bar, a vingança em três tiros certeiros e uma filha de quatro anos sem pai. Mais uma notícia a veicular, comum no dia a dia da mídia.
Mas o que dizer a um olhar infantil, assustado, que não entende direito porque papai foi pro céu tão cedo? E ainda levam a garota para ver seu amado no velório, e o sangue não pára de verter do corpo sem vida pelos buracos dos projéteis.
Vingança? Devolver a tragédia para a família do assassino? Amar o inimigo?
Como reconstruir a vida da família? O tempo cura as feridas; verdade. O que nos fere, nos torna mais fortes, outra sentença que parece verdadeira.
Só posso fazer a minha parte, consolar e buscar na própria vida uma saída diária, lenta mas gradual.
E segue o jogo.
Mais um crime, mais uma morte. A discussão no bar, a vingança em três tiros certeiros e uma filha de quatro anos sem pai. Mais uma notícia a veicular, comum no dia a dia da mídia.
Mas o que dizer a um olhar infantil, assustado, que não entende direito porque papai foi pro céu tão cedo? E ainda levam a garota para ver seu amado no velório, e o sangue não pára de verter do corpo sem vida pelos buracos dos projéteis.
Vingança? Devolver a tragédia para a família do assassino? Amar o inimigo?
Como reconstruir a vida da família? O tempo cura as feridas; verdade. O que nos fere, nos torna mais fortes, outra sentença que parece verdadeira.
Só posso fazer a minha parte, consolar e buscar na própria vida uma saída diária, lenta mas gradual.
E segue o jogo.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O caminho de areia
Os pés afundam e parece que não consegimos avançar morro acima.
Com persistência e sem olhar para cima, pois desanima, as pernas realizam um trabalho mecânico de subir escavando ou patinando. Por isso é bom seguir as pegadas de alguém que foi na frente pois ficou uma escadinha gravada no cômoro.
Depois é só chegar no alto, respirar fundo e curtir a paisagem do mar do Moçamba, do deserto de dunas e da vegetação lá em baixo, de vassouras, pinheiros e outros arbustos.
Dizem que Deus usa aquela área de playground particular, só posso afirmar que ali o vento faz a curva e levanta um véu de areia fina.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
poema da dúvida ou aparência
Não é mas é
Vou não fico
Nem mesmo vou
Sou uma sombra
Sob a sobrancelha
Alheia
Cuspo e pigarreio
Vida que vai
Sem objetivo
E sem receio
Nada Interessa
ao extremo
Enquanto tudo tem
Grande relevância
Calo e encalho
Me encolho
e colho
Vou não fico
Nem mesmo vou
Sou uma sombra
Sob a sobrancelha
Alheia
Cuspo e pigarreio
Vida que vai
Sem objetivo
E sem receio
Nada Interessa
ao extremo
Enquanto tudo tem
Grande relevância
Calo e encalho
Me encolho
e colho
o que
não plantei
não plantei
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Fábula revisitada
Fábula para a juventude
A história da formiga e da cigarra aconteceu bem diferente do que conta a fábula original. Só o início é verdadeiro. No verão a formiga trabalhava muito, realmente, e a cigarra cantarolava suas últimas composições musicais na floresta do norte. A formiga, muito prudente, preparava com as colegas de trabalho o ninho em baixo da terra, com bastante comida, para enfrentar os terríveis dias de frio do inverno.
E, num galho e outro, a cigarra buscava a perfeição do próprio canto, aprimorando melodias que nos dias quentes tanto alegrava a bicharada da floresta e também os insetos. Sem esconder um pitada de inveja, a formiguinha, sempre carregando uma folha ou talo, pensava consigo mesma: “vai cantando espertinha, quero ver quando teus membros ficarem enrijecidos com a neve que há de vir”. E assim a vida ia, com o trabalho pesado da formiguinha e a alegria cantante da cigarra.
E a estação do calor aos poucos foi indo embora, chegara o outono e logo em seguida as primeiras nevascas, gelando a terra e seus seres. Ao primeiro sinal, as formigas, sempre antenadas com a previsão do tempo, começaram a entrar no formigueiro forrado de comida para vários meses. Depois que todas desceram o túnel principal, a formiguinha porteira, aquela que na sua pequena cabecinha amaldiçoava a cigarra, começou a cerrar a entrada do ninho. Nisso, ouviu-se um toc, toc desesperado na porta da morada subterrânea. Era a cigarra, tremendo de frio: “deixem-me entrar, por favor, estou morrendo aqui com toda essa neve que não me deixa sequer andar, quanto mais voar ou cantar!”
A formiga, que quase já fechara a entrada do formigueiro, conforme sua obrigação, num flash de memória lembrou todo o verão de uma vez só em menos de um segundo: ela suando muito, carregando alimentos trinta vezes mais pesados do que seu corpinho preto, indo e vindo, e a cigarra cantarolando, cantarolando. “Vai se danar, sua preguiçosa” – berrou pela última fresta que faltava a ser fechada – “agora você está colhendo o que não plantou quando podia e devia. Canta, que quero ver, papuda!”.
Com um fio de voz, já sem forças, a cigarra só pode sussurrar pela última vez talvez: “por favor...”, e desmaiou sobre a tampa do formigueiro, agora toda lacrada por meses, até o início da primavera. A morte era um vulto branco como os flocos de neve. Morrer era questão de minutos, quem sabe segundos.
Cumprida a sua missão, a formiga então começou a descer o túnel até a câmara onde ficaria ali, com suas companheiras, encolhidas, comendo e dormindo por meses. Mas de repente uma idéia começou a pesar muito mais que todas as coisas que ela havia trazido para baixo da terra: sua consciência. Lembrava dos detalhes do verão, ela trabalhando duro, a cigarra cantando. Agora tinha clareza na sua cabeça com antenas que todo o fardo que carregou ficava bem mais leve quando a cigarra estava por perto a cantar. Com aquelas melodias, o dia passava mais rápido e o cansaço parecia menor, a alma era contente. Também lembrou do que estava por vir: dias monótonos, sem nada de importante para fazer, somente ficar ali quietinha, esperando dias melhores.
Pensou, pensou – o que não era muito do seu costume - e sem demora voltou a desobstruir com força e agilidade parte da passagem principal do formigueiro, onde quase morto, o corpo da cantora estava imóvel, quase sem ânimo. A formiga então agiu rapidamente, retirando a cobertura de neve e arrastando a cigarra para dentro.
Quando voltou a si, meio zonza ou meio morta, a cigarra achou que estava no céu, mas tudo era tão estranho, tão cheio de formigas que se juntavam para ver aquele ser estranho no ninho, trazido de última hora. Seria também transformada em alimento pela tropa ?Em vez do paraíso, aquilo bem que poderia ser um inferno, era uma questão de escolher a interpretação desejável, como seus primos humanos. Olhou para o lado e para o outro e então escutou a voz da sua salvadora, recuperando de vez a consciência:
- O negócio é o seguinte, salvei sua vida por piedade, apesar de você ser muito preguiçosa e não gostar do trabalho pesado. Mas aqui no formigueiro ninguém vive sem trabalhar, essa é a principal lei que nos governa: come quem trabalha. Por isso tenho uma proposta que pode salvar sua vida, se aceita, ou então vou te devolver para os dias gelados lá fora.
- Qualquer coisa, menos morrer de frio, é horrível – respondeu a cigarra..
E aqui termina a história atualizada da cigarra e da formiga. Para sobreviver, a cigarra combinou trabalhar no formigueiro, fazendo shows e cantando novas músicas que acabaram com a tristeza no formigueiro por todo o inverno. Mesmo sem poder impor muitas condições fez algumas exigências: camarim, palco iluminado e mel para cuidar da voz. Espetáculos aqueceram corpos e almas da comunidade nos meses mais tenebrosos do ano, inclusive com os aplausos entusiasmados da rainha das formigas em inesquecíveis capelas. Outros formigueiros da região receberam pelas antenas a mensagem da novidade, e providenciaram túneis para que a grande astro do subterrâneo fizesse sua turnê pelo subterrâneo O contrato para os shows acaba justamente nos primeiros dias primaveris, quando a cigarra ganharia o que há de mais valioso para todos os seres: a liberdade.
Comenta-se que está rolando um romance entre a cigarra e sua formiga salvadora. Mas isso não podemos confirmar se é verdade ou mais uma fábula que precisa ser escrita.
A história da formiga e da cigarra aconteceu bem diferente do que conta a fábula original. Só o início é verdadeiro. No verão a formiga trabalhava muito, realmente, e a cigarra cantarolava suas últimas composições musicais na floresta do norte. A formiga, muito prudente, preparava com as colegas de trabalho o ninho em baixo da terra, com bastante comida, para enfrentar os terríveis dias de frio do inverno.
E, num galho e outro, a cigarra buscava a perfeição do próprio canto, aprimorando melodias que nos dias quentes tanto alegrava a bicharada da floresta e também os insetos. Sem esconder um pitada de inveja, a formiguinha, sempre carregando uma folha ou talo, pensava consigo mesma: “vai cantando espertinha, quero ver quando teus membros ficarem enrijecidos com a neve que há de vir”. E assim a vida ia, com o trabalho pesado da formiguinha e a alegria cantante da cigarra.
E a estação do calor aos poucos foi indo embora, chegara o outono e logo em seguida as primeiras nevascas, gelando a terra e seus seres. Ao primeiro sinal, as formigas, sempre antenadas com a previsão do tempo, começaram a entrar no formigueiro forrado de comida para vários meses. Depois que todas desceram o túnel principal, a formiguinha porteira, aquela que na sua pequena cabecinha amaldiçoava a cigarra, começou a cerrar a entrada do ninho. Nisso, ouviu-se um toc, toc desesperado na porta da morada subterrânea. Era a cigarra, tremendo de frio: “deixem-me entrar, por favor, estou morrendo aqui com toda essa neve que não me deixa sequer andar, quanto mais voar ou cantar!”
A formiga, que quase já fechara a entrada do formigueiro, conforme sua obrigação, num flash de memória lembrou todo o verão de uma vez só em menos de um segundo: ela suando muito, carregando alimentos trinta vezes mais pesados do que seu corpinho preto, indo e vindo, e a cigarra cantarolando, cantarolando. “Vai se danar, sua preguiçosa” – berrou pela última fresta que faltava a ser fechada – “agora você está colhendo o que não plantou quando podia e devia. Canta, que quero ver, papuda!”.
Com um fio de voz, já sem forças, a cigarra só pode sussurrar pela última vez talvez: “por favor...”, e desmaiou sobre a tampa do formigueiro, agora toda lacrada por meses, até o início da primavera. A morte era um vulto branco como os flocos de neve. Morrer era questão de minutos, quem sabe segundos.
Cumprida a sua missão, a formiga então começou a descer o túnel até a câmara onde ficaria ali, com suas companheiras, encolhidas, comendo e dormindo por meses. Mas de repente uma idéia começou a pesar muito mais que todas as coisas que ela havia trazido para baixo da terra: sua consciência. Lembrava dos detalhes do verão, ela trabalhando duro, a cigarra cantando. Agora tinha clareza na sua cabeça com antenas que todo o fardo que carregou ficava bem mais leve quando a cigarra estava por perto a cantar. Com aquelas melodias, o dia passava mais rápido e o cansaço parecia menor, a alma era contente. Também lembrou do que estava por vir: dias monótonos, sem nada de importante para fazer, somente ficar ali quietinha, esperando dias melhores.
Pensou, pensou – o que não era muito do seu costume - e sem demora voltou a desobstruir com força e agilidade parte da passagem principal do formigueiro, onde quase morto, o corpo da cantora estava imóvel, quase sem ânimo. A formiga então agiu rapidamente, retirando a cobertura de neve e arrastando a cigarra para dentro.
Quando voltou a si, meio zonza ou meio morta, a cigarra achou que estava no céu, mas tudo era tão estranho, tão cheio de formigas que se juntavam para ver aquele ser estranho no ninho, trazido de última hora. Seria também transformada em alimento pela tropa ?Em vez do paraíso, aquilo bem que poderia ser um inferno, era uma questão de escolher a interpretação desejável, como seus primos humanos. Olhou para o lado e para o outro e então escutou a voz da sua salvadora, recuperando de vez a consciência:
- O negócio é o seguinte, salvei sua vida por piedade, apesar de você ser muito preguiçosa e não gostar do trabalho pesado. Mas aqui no formigueiro ninguém vive sem trabalhar, essa é a principal lei que nos governa: come quem trabalha. Por isso tenho uma proposta que pode salvar sua vida, se aceita, ou então vou te devolver para os dias gelados lá fora.
- Qualquer coisa, menos morrer de frio, é horrível – respondeu a cigarra..
E aqui termina a história atualizada da cigarra e da formiga. Para sobreviver, a cigarra combinou trabalhar no formigueiro, fazendo shows e cantando novas músicas que acabaram com a tristeza no formigueiro por todo o inverno. Mesmo sem poder impor muitas condições fez algumas exigências: camarim, palco iluminado e mel para cuidar da voz. Espetáculos aqueceram corpos e almas da comunidade nos meses mais tenebrosos do ano, inclusive com os aplausos entusiasmados da rainha das formigas em inesquecíveis capelas. Outros formigueiros da região receberam pelas antenas a mensagem da novidade, e providenciaram túneis para que a grande astro do subterrâneo fizesse sua turnê pelo subterrâneo O contrato para os shows acaba justamente nos primeiros dias primaveris, quando a cigarra ganharia o que há de mais valioso para todos os seres: a liberdade.
Comenta-se que está rolando um romance entre a cigarra e sua formiga salvadora. Mas isso não podemos confirmar se é verdade ou mais uma fábula que precisa ser escrita.
personagem
A borboleta beija a flor
Tipo beija-flor
Bate asas esquisita
E para no ar do meu
Pensamento no pátio
Colorida nem lembro a cor
Azul roxo escura – vivia
A vida naquela hora e lugar
Como eu, como eu
Sem compromisso com a filosofia
Só com a tarde ensolarada
Traduzia verde em torno da flor
Do jardim:
vagina que escorre néctar
aos lábios de um querubim
Tipo beija-flor
Bate asas esquisita
E para no ar do meu
Pensamento no pátio
Colorida nem lembro a cor
Azul roxo escura – vivia
A vida naquela hora e lugar
Como eu, como eu
Sem compromisso com a filosofia
Só com a tarde ensolarada
Traduzia verde em torno da flor
Do jardim:
vagina que escorre néctar
aos lábios de um querubim
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