quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quem ensinou?

Quem ensinou as crianças a abrirem a bolacha recheada e a raspar com os dentes o recheio? E aqueles maiorzinhos, em torno de dez anos, como aprenderam a jogar truco em ônibus lotado na volta da aula?
São duas de várias situações em que se pode acreditar que aprende-se sozinho, com os outros, só de olhar, ou pela própria iniciativa dos interessados. A menos que algum professor de matemática tenha ensinado o jogo de cartas, o que não é muito comum, a criançada vai aprendendo como tudo que lhe cerca, com a turminha.
A agilidade num computador então é covardia, para as crianças destes tempos. Já dizia Freinet que não devemos, como professores e acrescento os pais, atrapalhar a aprendizagem inata da criança.
Se a escola estimular a curiosidade, adotando comportamento liberal de não cercear brincadeiras espontâneas o tempo todo, desde que não haja violência entre eles, o desenvolvimento acelera. Como gatinhos e cachorrinhos que simulam que estão brigando com os maninhos numa espécie de capoeira de angola animal. Aprendem brincando, nós também.
Pobres crianças isoladas, que não brincam com os da mesma idade, trancadas num mundinho de apartamento, tv e videogame. Não aprendera construir com os outros, a ser tolerante, parceiro, amigo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A clareza

A clareza de pensamento pode levar à estupidez. Já sei de tudo, antevejo como um bom enxadrista as jogadas que virão a seguir. E aí levo ferro se acho que está tudo determinado, pois a novidade sempre vem. um ponto claro que nos cega de tanto brilhar insistentemente no mesmo local. A presunção e arrogância são essa luz, que nos faz avançar e retroceder, não sei se ao mesmo tempo, as vezes sim outras não.
Assim é a clareza, inimiga do conhecimento da realidade do jeito que ela é. Seus felizes proprietários, porque este estado de espírito é um dom que apenas de administração, precisam combater essas idéias luminosas de alguma forma. Não me pergunte como.
O melhor é sempre desconfiar das suas certezas, e eu acho que já sabia disso mas esqueci.
Temos que tentar, caso contrário, caos e perdição. Se coragem não falta, falta o quê?
voltar a se importar com as pessoas. É isso.

domingo, 22 de novembro de 2009

futebol,rádio e domingo

A bola rola com a rapidez
da língua que corre pelas ondas do radio,
sempre atrasada na jogada
Inventa, continua quando a bola para,
assim vai o locutor
Afoito como maquinista de linha atrasada
É gooool, como diria Quintana,
foguetório de assustar a cachorrada da cidade

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A origem de todos os mitos

O ser humano não suporta o silêncio que reina sobre as perguntas de onde viemos e para onde vamos. Melhor inventar uma resposta que calar.
Acredito que foi assim, nos primórdios da humanidade, que surgiram todas as lendas: a inocência das crianças, de olhos arregalados, diante da morte de algum ente querido. Por quê se morre? Por que se vive? De onde viemos, afinal?
Sem saber, os ancião se reuniram a beira do fogo e combinaram o mito da criação, por Deus, ou deuses, quem sabe pelo caos grego.
E então as religiões, costumes e ideologias foram sendo construídas sobre a história combinada. E ninguém mais teve a angústia de dúvidas sem soluções.
Os povos mais espertos não se deixaram limitar pelas invenções dos velhinhos, e os mais estúpidos acreditam literalmente em toda a tradição oral e escrita que receberam.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sem choro nem vela

por que eu sou assim? o que me move? o que devo fazer? ir ou ficar? suportar ou fugir? amar ou odiar? para que tanta pergunta se o sol brilha lá fora e as necessidades básicas ainda estão atendidas?

Sei lá, sei lá

sábado, 14 de novembro de 2009

Nova fase

Hoje, sábado, 14 de novembro, minha cunhada fez a mudança dela, deixando o quarto onde me apertava para ir ao computador vazio. Pequeno, a peça ficou dando reverberação de tão vazio, sem cama, guarda-roupa, balcão e um monte de tralha.
Vamos entrando numa nova fase de vida, sem a divisão do espaço. Minha afilhada vai ficar aqui e lá, conforme calhar.
Tomara que as relações progridam, em vez de degenerarem novamente. Veremo em que vai dar. A maior preocupação é com o bem estar da Luisinha, pois os pais são muito distraídos, inclusive para lembrar o horário do remédio para micose.
Mas vamos sobreviver, e mesmo discordando temos de admitir que todos tem direito a errar e acertar. Problema é repetir erro

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Velho escriba para tempos pós-modernos

Desde o início da organização da humanidade em sociedade, os escribas sempre foram figuras de destaque na hierarquia social. Por meio destes profissionais do pergaminho, da pena de ganso e outros artefatos de escrita, o povo recebia normas, leis e decisões dos soberanos. Toda a administração podia depender deles para contar, arquivar, registrar e publicar textos.

Em tempos de Internet, quem são os novos escribas? Na era do copia e cola, os velhos profissionais das letras são justamente aqueles de quem são cobrados textos inéditos. Você pode até se basear em 90% de um original na elaboração de um texto, como no caso de um contrato, mas tem de ser original em alguma parte para atender as peculiaridades da demanda em questão.

Então os letrados que escrevem com alguma originalidade são os escribas atuais. Advogados, jornalistas, autores, são algumas das profissões que remetem à velha função. A diferença atual é que você pode ser processado pelo que foi publicado, ao contrário da antiguidade, onde não havia contestações ao texto anunciado em nome do rei ou do faraó.

Nem tudo mudou muito nesse mundo, as coisas se repetem muitas vezes. Assim falou Luciano.