segunda-feira, 17 de setembro de 2012


 Sou escritor vadio,
Faço o texto em pensamento,
E as palavras correm para o rio
que desemboca neste momento
No mar do esquecimento

domingo, 26 de agosto de 2012

Sem constrangimentos


A liberdade de expressão começa pelo direito dos profissionais de imprensa ter total direito a se expressar. Frase infeliz: começa pelo direito de todo e qualquer cidadão pensar e dizer o que pensa. No caso dos jornalistas,  é preciso frisar que não pode haver  interferências das corporações onde atuam. Não são seus donos ideológicos.

 O uso de redes sociais como twitter e facebook  pelo jornalista enquanto cidadão não pode sofrer interferência e constrangimentos para que se expresse conforme a política da empresa onde atua, em detrimento do ponto de vista próprio, em que acredita.  
É preciso separar o profissional,  em tempo de trabalho, do caráter privado do indivíduo. Evidente que nos dois casos o jornalista tem que responder pela conseqüência de seus comentários e análises da realidade.

Seja atuando profissionalmente ou apenas tuitando e faceboqueando no tempo livre, pode responder a crimes como calúnia - caso pise na bola.
As  empresas tem o direito sim de exigir que em período de expediente o profissional se abstenha de postar comentários pessoais nas redes. Mas querer ditar o que deve ser divulgado pela pessoa é autoritarismo, mesmo que disfarçado por “conselhos de bom tom”.

Estamos em época eleitoral, e as redes fervem de comentários sobre tudo e todos. Seria crime um jornalista da mídia postar que apóia a este ou aquele candidato em seu tempo livre, porque a empresa dele quer manter uma imagem de isenção no processo político? Ou criticar comentários no horário eleitoral gratuito de certa candidatura?
 Não, é posição transparente! Inclusive grandes corporações midiáticas abrem o jogo sobre suas preferências em editorais. Aplausos a estes. O público, ao saber da preferência, tem condições de julgar melhor o trabalho profissional e ética do veículo ou do jornalista.

Em matéria publicada na Revista de Jornalismo da ESPM (Jul-ago-set de 2012), Dan Gillmor aponta bem o risco do controle das opiniões na grande rede:
“A promessa da internet era profunda:um meio democrático, descentralizadíssimo, no qual qualquer um publicaria o que quisesse, podendo ser ouvido. A reação das empresas e governos ameaçados pela rede é recentralizar. Pode ser, simplesmente, a natureza do capitalismo e do Estado modernos, com forças do controle ganhando poder a cada dia. Mas é uma ameaça ao jornalismo e à inovação. Jornalistas finalmente começam a se dar conta. Resta esperar que não seja tarde demais”.  
Por isso, cada macaco no seu galho, porque liberdade é a soma de todas as opiniões e regra essencial ao sistema democrático e liberal.   









Jornal é o dinossauro em extinção do mundo das mídias


Das mídias tradicionais, o jornal é a publicação impressa mais ameaçada de extinção pelo mundo digital. E a revista/magazine e o livro ainda devem ganhar uma boa sobrevida.
O custo ambiental do jornal é elevado, seja na produção diária que consome uma infinidade de árvores, não importa se cultivadas para isso, como também na hora do descarte.  Logo não fará mais sentido a impressão de tiragem diária. E para o consumidor, o produto é uma coisa suja, pois solta tinta facilmente sujando dedos, mesas e peças do vestuário.  Poluente e desagradável ao tato, eis as duas lanças que podem atingir o impresso logo mais à frente.
O acompanhamento da cobertura diária de notícias fica a cargo, cada vez mais, de celulares, tablets e tantas outras plataformas digitais que estão no prelo das indústrias de TI. Conteúdos que no dia a dia chegam limpos agregados à ampliação do hypertexto, com vídeos e muitas imagens sobre o mesmo assunto, sem limite de diagramação por paicas, são infinitamente mais desejáveis. Tudo com chance de atualização constantes da cobertura e resgatar todo o histórico de matérias relacionadas.  O papel do jornal é que o problema atualmente para os próprios.
Ao mesmo tempo, acredito que as revistas semanais de notícias e outras segmentadas terão boa sobrevida no avassalador avanço digital. Matérias com maior profundidade, furos noticiosos e um papel bom de manuseio que pode ser lido de forma multiplicada por familiares, amigos ou colegas  são as grandes armas dessa publicação,  também sob a ameaça tec.
E o livro será o que vai se manter ainda mais, quem sabe perpetuar a espécie por séculos. Aliás, como já acontece há milênios. Ele já tem em si tecnologia muito avançada, da capa dura à possibilidade de uso sem energia elétrica e independência do plug in em outras parafernálias para o start. Portátil, ainda permite busca aleatória por página ou versículos, no caso da bíblia.
Talvez seja um péssimo futurologista, e fácil de ser desacreditado por pesquisas científicas ou de mercado, mas acho que a coisa vai nessa direção. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tô fazendo a minha parte

Trim.Alô, sou ouvinte e quero falar de um problema no meu bairro. Na rádio este tipo de ligação é comum,  mas uma afirmação em seguida ganha relevo:
- Como cidadão, tô fazendo a minha parte, tô avisando a rádio para ela fazer a parte dela.
Na pressa da atividade de produção radiofônica, não havia espaço para mostrar que o ponto de vista do ouvinte é o problema desse país. O papel do cidadão é intransferìvel nem terceirizável.
Os problemas de uma comunidade, do buraco de rua ao vazamento de água, da queda de energia à   insegurança das ruas, entre tantos outros é responsabilidade do poder público, seja qual for. Mas na nossa cultura de comodismo, o cara se acha herói porque apontou o problema para conhecimento da rádio. E nem liga muitas vezes para os 0800 disponíveis ou procura o vereador, o prefeito, o deputado, o governador ou a presidência da república.
Chegou-se já ao ponto de que um cidadão protestar em posto de saúde e o atendente dizer: pra resolver só ligando para a rádio ou chamando a TV.
Como jornalistas não podemos cair nesse armadilha de utillizar o serviço de informação para estimular um assistencialismo radiofônico. O cidadão tem que levantar a bunda da cadeira e ir em busca da solução com a parte competente. Sua dificuldade é que deve ser noticiada. E o papel da imprensa é fazer uma análise permanentemente crítica e criteriosa dos casos que recebe.
É esse o jogo, cada um faz a sua parte, o cidadão, a imprensa e o Estado. 



terça-feira, 14 de junho de 2011

A vida como ela não é



Luciano Almeida

É dura a constatação de como realmente é, de forma nua e crua, a alma, a personalidade, ou a identidade do indivíduo, como queiram. Lendo recentemente CONTRAPONTO de Aldous Huxley, e começando Lobo da Estepe do Hermann Hesse posso afirmar que ler significa um mergulho nas profundezas do ser humano. Humano, demasiadamente humano, já dizia o velho bruxo da filosofia de nome que parece espirro.
A primeira sensação que se tem da exposição da vida cotidiana de qualquer pessoa pela literatura – citei dois autores que recém adentraram na minha mente - é devastadora para o que pensamos sobre o que somos. O espelho do imaginário quebra-se em rachadura de cima a baixo, lâmina espelhada transformada em cacos.
Os muitos e diversos pontos de vista que analisam as personagens, seus modos de agir e ver, muitas vezes contraditórios – como nós –, faz pensar. E inevitavelmente nos colocamos no lugar das personagens, torcemos até pelo matador de Crime e Castigo!, porque se parecem conosco em alguma coisa.
A ruptura da autoconsciência leva, num primeiro momento, e deve ser por isso que muitos não gostam do gênero literário, ao pessimismo. Foi o que senti. Ver como tudo pode ser um teatro com as tragédias e comédias que nos metemos sem querer querendo com o correr dos anos e fases da existência. É pura bucha. Não há saída, aparentemente.
Porém, passada a primeira impressão, uma reflexão do que pode ser aproveitado ou não do conteúdo do texto pode descer bem para a consciência. É a velha história, o que não mata, melhora. Tudo depende dos interesses do indivíduo sobre a própria existência, mas para quem persegue a verdade, ou o mais próximo do que se possa chegar, as sacadas dos autores se transformam em prato cheio para refletir.
A leitura que se possa fazer na vida cotidiana das pessoas que nos rodeiam – quando não tonteiam – é uma dessas benesses da literatura, da boa literatura. O autoconhecimento, o verdadeiro e não aquela ilusão inicial, também marca ponto positivo para a obra literária. Tudo isso para concluir uma novidade de mais de 2.500 anos lançada pelo filósofo grego, e mal cheiroso, Sócrates; só sei que nada sei.
A vida, o universo, a realidade é gigantesca e assombrosa, mas nos aceita com todas as nossas limitações e dúvidas. E ler é o caminho para as estrelas. Melhor que enterrar-se na lama de nossas idéias preconcebidas e engessadas. Ao aceitar a realidade como ela é, vem a liberdade. E aí resta espreitar e aprender com as situações, sem nos inocentarmos ou culparmos de todo. Leia.







terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Manifesto contra o MSN


O MSN está em plena atividade e não estou falando do Messenger. Quase todos já pertencemos ou, pior, ainda podemos ser ativistas deste movimento, o Movimente Sem Noção.
O termo é um tanto forçoso, pois se levarmos em conta a realidade nua e crua, é um movimento dos quase sem noção nenhuma, não de todos desprovidos desta, à mercê dos próprios interesses.

Um Sem Noção é todo e qualquer individuo que coloca o próprio umbigo no centro do universo, sem se importar nas conseqüências dessa prioridade para os que estão a sua volta.
Os exemplos são muitos. O cara que fura a fila do ônibus, o que faz uma poda numa ultrapassagem perigosa no trânsito, o que usa colegas e familiares para manter uma banca de superioridade. O caloteiro, o mentiroso, o enganador, e por aí a fora.
Em casos graves, os integrantes do MSN matam a própria família pensando na herança que isso vai render. Mas é no dia a dia que o Sem Noção incomoda a todos com a maior naturalidade.
Esse texto no fundo pretende ser um manifesto contra o MSN. É preciso barrar os adeptos, e, mais importante ainda, detectar as automanifestações do semnocismo em si próprio. Ninguém está livre de ser um MSN, mas para se desprender da situação é preciso por a mão na consciência e racionalizar a necessidade de mudança.
E aqueles que se libertaram desta visão egoísta da vida não podem tolerar a atuação deste movimento nefasto à sociedade, literalmente falando.
Um grito, uma censura pública, um chega pra lá são as atitudes que os CMSN (Contra o Movimento Sem Noção) devem agir.
Ou se liga, ou cai fora da aba do nosso chapéu. Declaro guerra ao movimento, pois este é anacrônico e precisa de termo.


domingo, 23 de janeiro de 2011

Pecados da assessoria de imprensa

Sem dúvida, a assessoria de imprensa é uma grande aliada no dia a dia das redações, com o envio de sugestões de pautas. Um bom profissional nessa área é imprescindível nesses tempos de avalanche de informações, para rapidamente aproximar a fonte, ou seja, seu cliente, seja público ou privado, das equipes de reportagem da mídia impressa e cada vez mais eletrônica. E com ele as respostas dos questionamentos na cobertura, num acesso do público a conteúdos de seu interesse.
Mesmo que o cliente não tenha interesse em falar, o atendimento ético de um assessor é jogar às claras e informar a decisão ao seu colega do outro lado do balcão rapidamente. O maior inimigo dos jornalistas sempre é o tempo, vulgo deadline, e o profissional de redação pode buscar alternativas à falta da declaração solicitada. Afirmar que não vai comentar o assunto já é uma declaração; melhor do que o “procurado, não foi encontrado”.
Em Florianópolis percebe-se no dia da dia das redações que muito conteúdo oferecido por alguns assessores peca pela falta da garantia de um feedback. É como oferecer algo e não entregar.
Mais de um pressrealese chega com assuntos interessantes, realmente, a ponto de interessar agendar uma entrevista, uma cobertura com repórter no local. Mas no fim do texto, você procura um telefone de contato e nada. Nem da indicação, nem do próprio assessor!. Ou então os telefones são indicados mas estão todos desligados! Para receber resposta do email, espere umas 48 horas (só vi agora). Nas entrelinhas dá para ler a mensagem: já enviei o release e não me encha mais o saco.
Se faz necessário uma profissionalização constante do assessor, o atendimento tem de ser completo. Afinal é pra isso que serve o profissional, para divulgar o seu cliente e poder apresentar a ele um book de clipagens de encher os olhos. Por isso combine com o cliente, toda vez que um release fora aprovado e oferecido à imprensa, que é preciso estar disponível para mais esclarecimentos.